Prevenindo e detectando ToBRFV

Confiança em todos os níveis – melhores práticas para ajudar a impedir a disseminação do ToBRFV

 

O ToBRFV pode ser facilmente transmitido por vários meios, incluindo ferramentas e equipamentos agrícolas, pessoas (mãos dos trabalhadores), plantas, água e solo.

A implementação de medidas rigorosas de higiene durante a produção e a incorporação de múltiplos processos de controle e inspeção são medidas preventivas cruciais para conter o vírus. Essas medidas desempenham um papel fundamental na mitigação da disseminação do ToBRFV. 

Prevenção do ToBRFV
Detectando o ToBRFV rapidamente
O que fazer após um resultado positivo ao Vírus ToBRFV
Limpeza após infecção por ToBRFV

Saiba mais sobre as medidas de segurança que estão sendo tomadas em nossa nova estufa de quarentena

 

Wim van der Schaft, chefe de R&D Operations de Vegetais do Norte da Europa, está na nova estufa de quarentena em Wageningen, na Holanda. Ele explicará como funciona a estufa de quarentena e as medidas de segurança que estão sendo tomadas.

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Introdução

O Tomato brown rugose fruit virus, conhecido pela sigla ToBRFV, é um vírus que afeta a cultura do tomate e tem causado preocupação em diferentes regiões produtoras do mundo devido à sua elevada capacidade de disseminação e aos impactos que pode provocar na qualidade comercial dos frutos.

Embora o vírus ainda não tenha sido detectado e confirmado no Brasil, conhecer suas características, seus possíveis sintomas, suas formas de transmissão e as medidas necessárias para prevenir sua introdução e disseminação é fundamental para promover a conscientização e apoiar a adoção de boas práticas no campo.

A prevenção, o monitoramento e o diagnóstico laboratorial adequado são especialmente importantes, uma vez que os sintomas do ToBRFV podem ser confundidos com aqueles causados por outros vírus ou por problemas fisiológicos. A seguir, esclarecemos as principais dúvidas sobre o tema.

Perguntas frequentes sobre o ToBRFV

Os sintomas iniciais do ToBRFV aparecem, em geral, entre 12 e 18 dias após a infecção em variedades suscetíveis, podendo demorar até 30 dias em plantas com algum grau de resistência.

Nas folhas, os primeiros sinais são clorose nas nervuras, mosaico leve a severo e deformações foliares com estreitamento dos folíolos. Nos pedúnculos, cálices e pecíolos, podem surgir lesões necróticas que podem levar à queda prematura dos frutos.

Nos frutos, os sintomas mais característicos incluem:

  • Manchas amarelas ou marrons irregulares na superfície;
  • Maturação desuniforme, com partes verdes e maduras no mesmo fruto;
  • Rugosidade e deformação da casca, característica que dá origem ao termo “rugose” presente no nome do vírus;
  • Redução do calibre e perda do valor comercial.

Atenção: a intensidade dos sintomas varia conforme a cultivar, a idade da planta no momento da infecção, a temperatura e as condições de luminosidade. Plantas mais jovens podem apresentar sintomas mais graves.

Os sintomas foliares do ToBRFV são visualmente muito semelhantes aos causados pelo Vírus do Mosaico do Tabaco, TMV, e pelo Vírus do Mosaico do Tomateiro, ToMV. Mosaico, clorose e deformação foliar podem ocorrer nos três casos. Nos frutos, manchas amarelas e maturação irregular também podem aparecer em infecções por outros tobamovírus.

Por isso, não é possível diferenciar esses vírus com segurança apenas por meio da observação visual.

Plantas infectadas pelo ToBRFV também podem ser assintomáticas, servindo como fonte silenciosa de disseminação dentro de uma estufa ou lavoura.

A única forma confiável de identificação é a análise laboratorial. Testes sorológicos, como o ELISA, conseguem detectar tobamovírus em geral, mas podem não diferenciar as espécies com precisão devido à reatividade cruzada dos anticorpos. Para a confirmação específica do ToBRFV, é necessário recorrer a técnicas moleculares, como a RT-PCR com primers específicos para o vírus.

Não. A detecção do ToBRFV por meio do reconhecimento de sintomas não é considerada um método confiável de identificação.

Há duas razões principais:

  • Plantas assintomáticas: algumas plantas infectadas não expressam sintomas visíveis, especialmente nas fases iniciais, mas continuam sendo fonte de inóculo e disseminação.
  • Confusão com outros agentes: os sintomas do ToBRFV se assemelham aos de outros vírus, como TMV, ToMV e TSWV, e até mesmo a problemas fisiológicos, como deficiências nutricionais.

O protocolo recomendado combina dois procedimentos:

  • Inspeção visual de folhas, frutos, pedúnculos, cálices e pecíolos como primeira triagem;
  • Coleta de amostras e análise laboratorial para pesquisa e confirmação do organismo, utilizando RT-PCR com primers específicos para o ToBRFV.

Em caso de sintomas compatíveis ou de suspeita, a área deve ser isolada, e um laboratório de diagnóstico fitopatológico credenciado deve ser consultado antes de qualquer decisão de manejo. A confirmação laboratorial é indispensável, especialmente considerando que o vírus ainda não foi detectado e confirmado no Brasil.

O ToBRFV é um tobamovírus altamente estável e persistente no ambiente. Sua principal via de transmissão é o contato mecânico, que pode ocorrer durante operações rotineiras de cultivo.

Entre as fontes de transmissão estão:

Via de transmissão

Situação de risco

Mãos dos trabalhadores

Poda, desbaste e condução das plantas

Ferramentas, como tesouras e facas

Compartilhamento sem desinfecção entre plantas

Roupas e calçados

Entrada em áreas infectadas sem troca ou desinfecção

Contato entre plantas

Plantas próximas e em alta densidade, especialmente em estufas

Insetos polinizadores

Abelhas e mamangavas que transitam entre plantas infectadas e sadias

Água de irrigação

Contaminação por restos de plantas infectadas

Material de propagação

Mudas, enxertos e estacas provenientes de áreas infectadas

Uma única planta infectada por semente pode ser suficiente para iniciar a disseminação mecânica do vírus em uma estufa. A transmissão por semente é uma possível rota de introdução a longa distância, enquanto a transmissão por contato é responsável pela rápida disseminação dentro do cultivo.

Sim. O ToBRFV é um vírus de transmissão por semente, ou seedborne. O vírus está presente tanto no tegumento, a casca, quanto no endosperma da semente infectada.

A transmissão ocorre provavelmente por meio de microlesões causadas durante a germinação, quando a plântula entra em contato com o tegumento infectado.

Dois aspectos são especialmente importantes:

  • Tratamentos convencionais de desinfecção de sementes não são totalmente eficazes contra o ToBRFV, devido à localização do vírus dentro da estrutura da semente.
  • A taxa de transmissão entre a semente e a planta é relativamente baixa, mas uma única plântula infectada em um lote pode ser suficiente para iniciar um ciclo de disseminação mecânica dentro da estufa ou lavoura.

Por isso, a aquisição de sementes certificadas e testadas para ausência do ToBRFV é uma medida de exclusão importante antes mesmo do plantio.

O ToBRFV não possui inseto vetor no sentido clássico, como ocorre, por exemplo, com pulgões vetores de potyvírus ou moscas-brancas vetoras de begomovírus. Não há transmissão biológica do vírus por insetos.

No entanto, insetos polinizadores, como abelhas e mamangavas, podem atuar como vetores mecânicos acidentais. Ao se deslocarem entre flores de plantas infectadas e plantas sadias, eles podem carregar partículas virais em seu corpo e facilitar a transmissão por contato.

Em cultivos de estufa, onde a densidade de polinizadores é alta e o espaço é fechado, esse risco é particularmente relevante.

A distinção prática é importante: não é possível controlar a transmissão do ToBRFV apenas eliminando insetos, pois eles não são vetores biológicos. O controle efetivo está relacionado às medidas de higiene e exclusão.

Em regiões do mundo onde o ToBRFV já foi confirmado, variedades resistentes foram desenvolvidas para tolerar a infecção pelo vírus com menor expressão de sintomas e menor impacto produtivo.

A resistência genética disponível atualmente é baseada em genes que dificultam a multiplicação e o movimento sistêmico do vírus na planta.

O que a resistência faz:

  • Reduz a severidade dos sintomas foliares e nos frutos;
  • Diminui a perda de produção e qualidade em situações de pressão viral;
  • Oferece maior estabilidade produtiva em regiões ou épocas de maior risco.

O que a resistência não faz:

  • Não impede a infecção: a planta resistente pode ser infectada e, em alguns casos, permanecer assintomática enquanto serve como fonte de inóculo;
  • Não elimina a necessidade de higiene e prevenção: as medidas de exclusão e manejo sanitário continuam sendo indispensáveis;
  • Não substitui o diagnóstico laboratorial: sintomas atípicos ou a ausência de sintomas em variedades resistentes não confirmam nem descartam a presença do vírus.

Conclusão prática: em regiões onde o ToBRFV está presente, a resistência genética é uma ferramenta de manejo integrado, e não uma solução isolada. Ela deve ser combinada com sementes certificadas, protocolos de higiene e monitoramento contínuo.

Como não existe controle químico curativo para o ToBRFV, a prevenção por meio da higiene é uma importante linha de defesa.

Higiene pessoal

  • Lavar as mãos por pelo menos um minuto com água e sabão antes de entrar na área de cultivo e entre o manejo de diferentes setores;
  • Usar luvas descartáveis, trocando-as entre plantas ou setores suspeitos;
  • Trocar ou desinfetar roupas e calçados antes de entrar em áreas livres de sintomas.

Ferramentas e equipamentos

  • Desinfetar tesouras de poda e demais ferramentas entre cada planta ou, no mínimo, entre cada bloco de plantas;
  • Utilizar desinfetantes virucidas, como hipoclorito de sódio diluído, ácido benzoico ou produtos registrados para essa finalidade;
  • Não compartilhar ferramentas entre produtores ou áreas com diferentes históricos sanitários.

Organização do trabalho

  • Começar o trabalho nas áreas sem sintomas e terminar nas áreas suspeitas, nunca o inverso;
  • Restringir o acesso de visitantes e trabalhadores não familiarizados com os protocolos;
  • Em situações de ocorrência confirmada, destruir restos de plantas infectadas por incineração ou enterramento adequado, sem deixá-los no campo.

A adoção preventiva dessas práticas contribui para fortalecer a biossegurança da propriedade e reduzir os riscos de introdução e disseminação de patógenos.

A velocidade e a cautela na resposta são importantes para evitar uma possível disseminação.

O protocolo de ação recomendado é:

  • Isole a área suspeita sem remover as plantas. Não transite entre a área suspeita e o restante do cultivo sem desinfecção completa;
  • Não realize operações de poda ou condução nas plantas suspeitas antes de confirmar o diagnóstico, evitando uma possível disseminação mecânica;
  • Colete amostras de folhas, frutos e pedúnculos com sintomas, seguindo as orientações do laboratório de diagnóstico de sua região;
  • Encaminhe as amostras para análise laboratorial, utilizando RT-PCR específico para ToBRFV em laboratório credenciado;
  • Aguarde o resultado antes de eliminar as plantas, pois a destruição sem confirmação pode ser desnecessária;
  • Em caso de confirmação positiva, elimine as plantas infectadas e as plantas em um raio de até 1,5 metro ao redor, por incineração ou enterramento.

Como os sintomas podem ser confundidos com os de outros vírus ou com problemas fisiológicos, nenhuma suspeita deve ser considerada uma confirmação sem a realização de análise laboratorial.

Em regiões onde o vírus já está presente, variedades resistentes podem reduzir o risco de perdas severas, mas não eliminam a presença do vírus no ambiente.

Quando variedades resistentes e convencionais são cultivadas no mesmo espaço físico, as variedades suscetíveis permanecem vulneráveis à infecção por contato mecânico, mesmo que as plantas resistentes próximas apresentem poucos ou nenhum sintoma.

Uma variedade resistente assintomática pode servir como reservatório silencioso de inóculo, favorecendo a disseminação do vírus para variedades convencionais durante operações compartilhadas de poda e condução.

Por isso, os protocolos de higiene e o manejo sanitário devem ser mantidos de forma rigorosa e uniforme, independentemente do perfil de resistência das variedades cultivadas.

Em regiões onde o vírus está presente, o ToBRFV pode causar perdas diretas relacionadas à redução do vigor da planta, à queda na produtividade e ao comprometimento da qualidade comercial dos frutos.

Frutos com manchas, deformações, rugosidade e maturação irregular podem perder valor de mercado e ser rejeitados durante a comercialização.

Em cultivos protegidos, o impacto pode ser amplificado pela alta densidade de plantas e pela frequência de manipulação, condições que favorecem a disseminação mecânica do vírus. Uma única introdução por semente contaminada pode comprometer a produção de um ciclo.

Como não existe tratamento químico curativo para o ToBRFV, uma vez estabelecido no cultivo, o manejo se limita à contenção da disseminação e à eliminação de plantas infectadas. Por isso, protocolos preventivos, incluindo o uso de sementes certificadas, a desinfecção de ferramentas e a higiene pessoal, desempenham papel fundamental na redução dos riscos.

 

Prevenção, conhecimento e inovação

Embora o ToBRFV ainda não tenha sido detectado e confirmado no Brasil, acompanhar sua ocorrência em outros países ajuda o setor produtivo a conhecer os riscos e a fortalecer medidas preventivas.

Em regiões onde o vírus já foi confirmado, a resistência genética tem desempenhado um papel importante como parte do manejo integrado. A Vegetables by Bayer conta com um portfólio de materiais resistentes que vem apresentando bom desempenho nessas regiões.

No entanto, a resistência genética não substitui as práticas de prevenção, higiene, monitoramento e diagnóstico laboratorial. A combinação dessas estratégias é essencial para o manejo responsável do ToBRFV nos locais onde ele está presente.

Para conhecer mais sobre o vírus, suas formas de transmissão e as medidas preventivas, acesse o Centro de Conhecimento ToBRFV da Vegetables by Bayer.

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