Porta‑enxerto Shincheonggang no manejo de tomate

A murcha- bacteriana, causada pela bactéria gram negativa Ralstonia solanacearum, é uma das mais importantes e destrutivas doenças do tomate, especialmente em condições tropicais e subtropicais, com sérias implicações epidemiológicas e consequências econômicas devastadoras em campos comerciais de cultivo de tomate, limitando severamente a capacidade produtiva e a sustentabilidade do negócio das espécies hospedeiras afetadas.

Ataca um amplo número de espécies vegetais, assumindo especial importância por causar danos em cultivos de grande relevância econômica e social, como a batata, o pimentão, a banana, a berinjela, o fumo e o pimentão, além de algumas cucurbitáceas como o pepino e a abobrinha.

A sua importância se acentua por ser um patógeno cosmopolita, habitante do solo, persistindo por vários anos, e por apresentar grande diversidade genética, bioquímica e de virulência.

Penetra a partir do sistema radicular por meio de feridas ou aberturas naturais durante a emissão de raízes secundárias e coloniza o xilema, causando murcha como um reflexo da disfunção vascular causada pela multiplicação das bactérias, levando a planta à morte.

A obstrução dos vasos do xilema ocorre pelo acúmulo de polissacarídeos de alta viscosidade, facilmente visíveis quando o tecido afetado, necrosado, é imerso em água limpa.

As principais medidas de manejo da murcha-bacteriana estão baseadas na diminuição do potencial de inóculo inicial e envolvem a rotação com culturas não-hospedeiras, a eliminação de plantas hospedeiras e de plantas já atacadas, a eliminação de restos de cultura e a evasão de áreas com histórico da doença, além de ações que visam fortalecer a resistência das plantas e a introdução de agentes de controle biológico, como bactériasendofíticas, saprófitas ou rizobactérias.

Uma medida de alta eficácia é a utilização de porta-enxertos de tomate com elevada tolerância a determinados biovares da Ralstonia solanacearum. O Shincheonggang é um porta- enxerto generativo que tem apresentado excelentes resultados no Espírito Santo como uma das medidas de manejo da doença. Introduzido recentemente, apresenta também resistência à raça 3 da murcha- de-Fusarium e a nematoides formadores de galhas.

Os principais aspectos a serem considerados no manejo da murcha- bacteriana

com o porta- enxerto Shincheonggang são:

■■ Adquirir mudas enxertadas sadias com raízes bem formadas, bem cicatrizadas, enxertadas em viveiros com altos padrões de qualidade fitossanitária;

■■ Preferencialmente, buscar mudas com enxertia mais alta para facilitar os cuidados pós- transplante;

■■ Evitar transplantes profundos, tendo- se a precaução de evitar o contato da cicatriz da enxertia com o solo;

■■ Combater problemas de encharcamento do solo e de secas pronunciadas, que favoreçam a contração das argilas e rompimento das radicelas;

■■ Eliminar as raízes adventícias que surgirem acima da cicatriz da enxertia, evitando o contato com o solo.

Planta afetada pela murcha bacteriana Planta afetada pela murcha bacteriana
Muda enxertada com Shincheonggang. Muda enxertada com Shincheonggang.

 

 

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