Auristêmio Andrade, RTV pela Bayer Seminis na região Nordeste do Brasil, com 15 anos de experiência no setor de sementes de hortaliças e seis anos na empresa, compartilhou insights sobre o mercado de frutas, suas tendências e desafios. Ele abordou o panorama atual do mercado internacional de frutas, tendências recentes, mudanças nas preferências dos consumidores e as inovações tecnológicas que estão moldando o futuro do setor.
De acordo com Auristêmio, o mercado de frutas está em uma fase positiva e com boas perspectivas para safra 2024/25. Ele destacou que, após a pandemia, o consumo de frutas frescas ganhou força, com uma demanda crescente por praticidade e saúde. O aumento na procura por frutas de tamanho menor reflete essa tendência, visto que famílias menores buscam evitar desperdício. No entanto, ele também mencionou que o mercado de frutas processadas estava em ascensão antes da pandemia, sofreu um impacto direto, e só agora, o setor começa a retomar o crescimento.
No mercado global, ele observou que frutas como uvas, mangas, mamões, melancias e melões estão em alta demanda, especialmente em países como Estados Unidos, Europa e Emirados Árabes. Ele ressaltou que o Brasil tem um papel importante ao abastecer esses mercados com frutas de alta qualidade. Ele ressaltou que o Brasil tem um papel importante ao abastecer esses mercados com frutas de alta qualidade. No entanto, os consumidores estão cada vez mais exigentes, buscando não apenas praticidade, mas também sabor e qualidade pós-colheita.
Em relação ao mercado interno, o brasileiro ainda prefere frutas grandes, com boa aparência e pós-colheita. No entanto, enfatizou que algumas campanhas de marketing têm impactado parte dos consumidores, causando certa mudança nesse comportamento, incentivando a compra de frutas de qualidade, o que abre oportunidades para crescimento.
Quando perguntado sobre as políticas comerciais e tarifárias que afetam o comércio de frutas, nos apontou que as exportações brasileiras enfrentam desafios devido às políticas protecionistas de alguns países, como os Estados Unidos por exemplo, além das crescentes exigências de certificações ambientais e alimentares na Europa e no Oriente Médio. Ele também mencionou o impacto dos custos logísticos, especialmente após a pandemia, quando o frete aumentou significativamente.
Auristemio cita que o setor de frutas e hortaliças ainda é muito dependente de serviços manuais, ocasionando uma necessidade direta em alta quantidade de mão de obra no setor. Porém na safra 2024/25 nunca vimos uma dificuldade tão grande das empresas para o preenchimento de vagas abertas para ao setor do campo. Hoje esse é o grande entrave para crescimento do setor.
A tecnologia também tem desempenhado um papel essencial no futuro do mercado de frutas, com inovações como drones, software de captura de imagem e automações nas packing houses. Segundo Auristêmio, essas ferramentas ajudam a otimizar processos e podem reduzir a dependência direta do volume em mão de obra, especialmente em culturas como melão e uva. Ele acredita que o uso crescente de inteligência artificial proporcionará decisões mais assertivas no campo.
Por fim, o RTV compartilhou suas previsões para os próximos cinco a dez anos no setor de frutas. Ele acredita que o consumo de frutas deve crescer tanto no Brasil quanto no exterior, impulsionado pelo apelo da mídia em torno de uma alimentação saudável. Contudo, ele ressaltou que o mercado interno brasileiro ainda tem um grande potencial para explorar, já que o consumo de frutas pelos brasileiros é baixo em comparação com a variedade disponível. Ele destacou a importância de campanhas de marketing e oferta de produtos com alta qualidade pelas grandes redes podem fomentar o consumo e divulgar a qualidade das frutas brasileiras, o que poderá abrir ainda mais oportunidades para o setor em geral.