A arquitetura da parte aérea da planta do brócolis é determinada por sua genética e pela sua resposta as condições ambientais.
Regular a arquiterura da parte aérea é importante para a adaptação, sobrevivência e competição entre as plantas.
Isto permite que a planta tenha flexibilidade em responder as condições ambientais, como qualidade da luz, ataque de insetos, temperatura, disponibilidade de nitrogênio e carbono e outras formas de estresse.
A principal maneira que a planta identifica alterações no ambiente externo é por meio de hormônios vegetais. Os dois principais hormônios envolvidos no controle da arquiterura da planta são a auxina e a citocinina, e o balanço entre eles pode inibir ou promover as brotações laterais.
Dominância apical, auxina e citocinina
Em muitas espécies, o crescimento do caule principal inibe o desenvolvimento de ramos ou brotações laterais, fenômeno chamado de dominância apical.
A remoção ou o dano mecânico da gema apical leva a ativação das gemas laterais e, consequentemente, formação de ramos/brotações laterais.
Isto é um mecanismo importante, já que permite a planta focar suas energias no desenvolvimento do caule/ramo principal ao mesmo tempo permitindo uma recuperação ou sobrevivência caso o caule principal seja danificado.
A auxina é o principal responsável pela regulação da dominância apical, sendo a citocinina um mensageiro secundário na regulação da atividade das gemas laterais.
A auxina é produzida no ápice da planta e transportada de cima para baixo, inibindo o desenvolvimento de brotações lateriais.
Já a citocinina é produzida nas raízes e transportada para cima na planta pelo xilema, promovendo o crescimento de gemas laterais por meio da divisão e expansão celular.
Brócolis De Cabeça Única
A brotação lateral em brócolis tende ser recessiva e de baixa herdabilidade. As gemas laterais saem do estado de dormência e produzem brotações laterais geralmente quando a planta está sob condições de estresse ou que causem redução da taxa de crescimento como: dias curtos, longos períodos nublados e estresse hídrico.
Sendo assim, o nível de brotamento lateral em brócolis é afetado fortemente pelas condições ambientais. Uma brotação lateral excessiva pode diminuir o tamanho da cabeça a ser comercializada, devido a competição dos ramos lateriais com o principal, e aumentar a incidência de doenças e insetos, já que o excesso de folha diminui a circulação do ar na planta e dificulta a penetração de produtos uniformemente.
Cuidados para a manutenção da dominância apical
Embora a auxina e a citocinina sejam reconhecidamente determinantes no processo da dominância apical, os esforços da aplicação de produtos que contenham essas moléculas não surtem efeito em uma relação obrigatória de causa e efeito, dada a cerosidade da folha de brócolis, a arquitetura das folhas, o ponto de equilíbrio nas concentrações dos produtos e a resposta diferencial em cada estado fenológico.
Assim, algumas medidas práticas podem ser adotadas para minimizar os efeitos perniciosos da emissão excessiva de brotos laterais:
• Transplante de mudas no ponto ideal, evitando raízes enoveladas e de aspecto borrachudo.
• Evitar chuchos nas mudas e garantir que sejam posicionadas firmemente nas covas, eliminando bolsões de ar e transplantá- las no nível do solo, evitando aterros ou mudas com exposição do sistema radicular.
• Minimizar as causas de estresse, como secas, temperaturas extremas, sombreamento excessivo, excesso de umidade, cicatrizes causadas por capinas ou herbicidas, além de evitar danos de qualquer natureza ao meristema apical.
• Realizar fertilizações adequadas, evitando excesso de vigor e de nitrogênio.
Para ler a matéria completa clique no link a seguir: Revista Semente (página 6 – edição 39)
Fernanda Ferraro e Jorge Hasegawa
Desenvolvimento Tecnológico da Seminis