Uso Apropriado das Abelhas para Polinização em Melancia

• Melancias requerem as atividades de insetos para polinização da flor e formação dos frutos.

• O número apropriado de abelhas e a distribuição de colmeias ajuda a garantir a polinização adequada.

• Coração oco e outros problemas de frutas podem ser causados por baixa polinização, devido a vários fatores.

Flores de melancia e polinização

 

A maioria das plantas de melancia produzem flores masculinas e femininas separadas. Alguns cultivares podem produzir flores "perfeitas", com partes femininas e masculinas. O pólen é produzido em uma massa pegajosa e não é soprado pelo vento, assim mesmo as plantas que produzem flores perfeitas requerem insetos para polinização bem sucedida, com as abelhas sendo os polinizadores mais comuns. As flores da melancia se abrem de manhã e fecham-se à tarde, já que as abelhas melíferas buscam o pólen e o néctar mais ativamente de manhã cedo, na maior parte antes de 10 horas, que é quando o estigma (a parte feminina da flor que recebe o pólen) é mais receptivo à polinização¹. E já que as flores de melancia só são viáveis por um dia, abelhas e outros insetos polinizadores precisam estar presentes todos os dias durante o período de polinização para obter o mais alto nível de frutificação. Uma vez que o pólen foi depositado no estigma, os grãos do pólen germinam e crescem abaixo dos tubos polínico para alcançar o óvulo, onde a fecundação ocorre. À medida que o óvulo fertilizado se desenvolve, liberam-se hormônios que estimulam a divisão e expansão das células de fruto e o acúmulo de açúcares no fruto.² Existe uma forte correlação entre o número de sementes maduras e o número e peso de fruta produzida. Mesmo as variedades sem sementes precisam ser polinizadas para que o fruto se desenvolva adequadamente. As flores das melancias precisam ser visitadas pelas abelhas sete ou oito vezes para uma fertilização adequada, o que promove o desenvolvimento de frutos grandes e bem formados.1,3 O pólen produzido por melancias sem sementes é inviável, portanto, esses tipos de plantas precisam ser fertilizados por pólen de plantas diploides padrão. Como as abelhas que buscam alimento em plantações de melancia sem sementes possuem uma mistura de pólen viável e não viável, são necessárias mais visitas de polinização (16 a 24) a cada flor para depositar a quantidade de pólen viável necessária para uma fertilização adequada4. Plantas de melancia sem sementes são triploides, o que significa que eles têm três cópias de cada cromossomo. Consequentemente, eles não produzem sementes maduras, e são autoestéreis porque seu pólen não é viável. Plantas polinizadoras diploides precisam estar próximas para fornecer pólen para fertilização e desenvolvimento adequado de frutos. Deve-se ter cuidado para selecionar as cultivares sem sementes e polinizadoras que estão sincronizadas para ter o pólen nas plantas polinizadoras produzidas quando as flores fêmeas na cultivar sem sementes são receptivas à polinização, uma vez que algumas combinações de cultivares funcionam melhor do que outras5

Abelhas como polinizadoras

 

Vários tipos de abelhas podem servir como polinizadoras para as melancias, incluindo as abelhas selvagens nativas (Figura 1). De fato, embora seja administrada com menor frequência do que abelhas, devido ao custo e disponibilidade, as abelhas selvagens são mais eficientes do que as abelhas domesticas na polinização da melancia. Abelhas selvagens começam a buscar o pólen no início do dia, quando as flores são mais receptivas à polinização, e elas visitam flores mais vezes e depositam quantidades iguais ou maiores de pólen por visita. No entanto, estas  vantagens são superadas pelo número muito maior de abelhas que estão presentes quando colmeias são colocadas no campo.6

Existem alguns apicultores que gerenciam colônias de abelhas nativas comercialmente, mas eles são mais caros. Assim, eles são geralmente usados apenas para operações em cultivo protegido, principalmente para tomates e pimentões7. As ações dos polarizadores nativos e o trabalho que eles fazem nas margens das lavouras adjacentes ao seu habitat natural justifica porque o tamanho dos frutos são frequentemente maiores nas margens das lavouras e os agricultores podem implementar práticas para promover a reprodução dos polarizadores nativos8,mas as abelhas melíferas são normalmente necessárias para polinizar as maiores lavouras. A maioria das operações em grande escala, ou operações comerciais dependem principalmente de colônias de abelhas para polinização porque são relativamente fáceis de obter e um grande número de abelhas pode ser introduzido em uma plantação. Recomendações para o número de colônias de abelhas por área para fornecer polinização adequada para as plantações de melancia variam, mas a média dessas recomendações é de 3 colônias por hectare, ou cerca de uma abelha para cada 100 flores. Um ramo padrão é definido como um com seis quadros bem povoados com abelhas ativas. Estes devem ser distribuídos em torno das bordas do campo em grupos de três colméias.¹

As flores da melancia não são nutricionalmente atrativas às abelhas como são algumas outras flores. Atrativos artificiais podem ser aplicados para atrair mais abelhas para o plantio, mas isso não necessariamente resulta em maior atividade de polinização, apenas um maior número de abelhas. Colocar colônias a favor do vento a partir de plantações e fazer a rotação das colônias regularmente para introduzir abelhas na lavoura pode ajudar a manter uma atividade de polinização adequada na cultura alvo.

Problemas de polinização e coração oco

 

A polinização inadequada devido a condições climáticas desfavoráveis, baixos números de abelhas ou colônias inativas ou, no caso de cultivares sem sementes, uma oferta inadequada de plantas polinizadoras, resulta em produção de hormônio vegetal insuficiente através do desenvolvimento de frutos. Isso resulta em frutos subdesenvolvidos, deformados e menos frutas por planta. Cultivares que normalmente produzem frutos de menor densidade são frequentemente afetados mais do que as cultivares que produzem tipos de frutos densos². 

Uma condição conhecida como coração oco é frequentemente associada a taxas inadequadas de polinização. Com o coração oco, lacunas ou cavidades se formam na poupa no interior do fruto (Figura 2). Esta condição é mais comum em frutos sem sementes (triploides), geralmente o resultado de problemas com o número, espaçamento ou distância das plantas polinizadoras, ou uma má sincronização da produção de pólen e receptividade da flor feminina ao pólen.

Estudos têm demonstrado que o aumento do espaçamento entre cultivares sem sementes e plantas polinizadoras ou a limitação do número de visitas de abelhas por flor aumenta a incidência de coração oco. Um estudo concluiu que as plantas que recebem 16 visitas de abelhas por flor tiveram uma incidência mais alta de coração oco do que as plantas que receberam pelo menos 24 visitas de abelhas por flor. Para variedades sem sementes, é importante que haja um número adequado de abelhas presentes e ativas na cultura, que sejam plantadas plantas polinizadoras em grande proximidade com a cultivar sem sementes e que a produção de pólen nas plantas polinizadoras esteja sincronizada com a receptividade das flores femininas da cultivar sem sementes². 

Fontes:

 

1. University of Georgia, Entomology: UGA honey bee program. http://www.ent.uga.edu/bees/beekeeping.html

2. Johnson, G. 2014. Watermelon pollination, fruit set, and hollow heart. Weekly crop update. University of Delaware. https://extension.udel.edu/weeklycropupdate/?p=6579

3. Boyhan, G. E., Granberry, D. M., and Kelley W. T. 2000. Commercial watermelon production. Bulletin 996. UGA Cooperative Extension Service.

4. Walters, S.A. 2005. Honey bee pollination requirements for triploid watermelon. HortScience 40:1268-1270.

5. McGregor, C. E. and Waters, V. 2014. Flowering patterns of pollenizer and triploid watermelon cultivars. HortScience vol. 49 no. 6:714-721.

6. Stanghellini, M.S., Ambrose, J.T., and Schultheis, J.R. 2002. Diurnal activity, floral visitation, and pollen deposition by honey bees and bumble bees in field-grown cucumber and watermelon. Journal of Apicultural Research 41:27-34.

7. Hood, W. M. 1998. Bumble bees as pollinators. Clemson Cooperative Extension: Entomology insect information series.

8. OMFRA Factsheet Best Management Practices for Pollination in Ontario Crops . www.pollinator.ca/bestpractices Site consultado em 08/04/16.

Em todas as resistências foram utilizados os nomes científicos das doenças e pragas. Para mais informações sobre nome popular, sintomas, danos econômicos e presença da doença/praga na sua região consulte técnicos locais. Todas as informações sobre os híbridos/variedades e seu desempenho, fornecidas oralmente ou por escrito pela D&PL do Brasil LTDA. (produtos com a marca Seminis), seus funcionários ou representantes, são dadas de boa fé e não como garantia da D&PL do Brasil LTDA. quanto ao desempenho dos híbridos vendidos. O desempenho pode depender de condições climáticas, de solo, de manejo e outros fatores. A agressividade de doenças e pragas é altamente influenciada por condições ambientais, histórico da área e pela variabilidade biológica, exigindo um manejo integrado que considere diferentes medidas e ações. A resistência genética é apenas uma ferramenta dentro deste contexto.

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