• A demanda de nutrientes é influenciada por fatores como o potencial produtivo das diferentes cultivares, adoção de tecnologias, nível de manejo, clima, solo e fitossanidade.
• O conhecimento da demanda versus as quantidades disponíveis no solo permite estimar a necessidade de fertilizações.
• O entendimento do padrão de absorção ao longo do ciclo é importante para a proposição do manejo correto e alcance da maior produtividade.
A curva de absorção
A demanda de nutrientes é influenciada por fatores como cultivares e condições de clima e solo onde as plantas são cultivadas. Este spotlight tem como objetivo expor o trabalho realizado para quantificar a extração (demanda) de nutrientes sob condições de campo aberto nos híbridos Compack e Coronel (SVTH0361). Conhecer a necessidade nutricional das plantas, confrontada com as quantidades disponíveis no solo, permite estimar a necessidade ou não de fertilizações e a otimização das suplementações na quantidade e no tempo correto.
Além da demanda, conhecer a evolução da marcha de absorção é importante porque permite ao agricultor/ técnico escolher a melhor época, doses e combinações dos fertilizantes a serem aplicados. Assim, são ministradas doses condizentes com a extração da cultura em determinado intervalo de tempo, minimizando perdas no sistema solo-planta-atmosfera e desequilíbrios iônicos no solo. O entendimento do padrão de absorção ao longo do ciclo dos nutrientes por novas cultivares é importante para a proposição do melhor manejo da adubação e alcance da maior produtividade. Para culturas em que o apelo qualitativo é fundamental do ponto de vista mercadológico como frutas e hortaliças, a atenção aos detalhes nutricionais se torna fundamental.
Dada a diversidade de condições edafoclimáticas, fitossanitárias e de manejo, este trabalho não pretende inferir manejos nutricionais abrangentes, mas busca mostrar os resultados da extração de nutrientes para esses ensaios específicos, apresentando valor analítico.
Metodologia
Para ambos os híbridos, determinou-se o acúmulo total de nutrientes da parte aérea (folhas, caules e frutos) para uma população de 11.111 plantas/ha em condições de cultivo em campo aberto, sob manejo tradicional fertirrigado. As amostragens foram realizadas no período de março a outubro para o híbrido Compack em Cascalho Rico, MG, e na safra de verão de 2017 de Caçador, SC, para o híbrido Coronel (SVTH0361).
Resultados e observações
As exigências nutricionais para ambas as cultivares, especialmente para o nitrogênio, estão um pouco acima quando consideradas as recomendações de adubação de Raij et al. (1997) e Filgueira et al. (1999), de até 360 Kg de N/ha e 400 Kg de N/ha, respectivamente, embora tais recomendações possam ser ajustadas ao se melhorar os índices de eficiência e perdas nos diferentes sistemas de adubação, estruturação e tipos de solo, fontes e sistema de irrigação ou fertirrigação. Essa variação pode ser explicada também pela maior exigência nutricional das cultivares modernas, que apresentam tetos produtivos maiores e frutos de maior calibre e classificação comercial, especialmente com a popularização da classe 3A (Extra AAA) a partir do ano de 2011.
Para o tomate híbrido Compack, o K foi o elemento acumulado em maior quantidade na planta (31,6 g), seguido pelo Ca (23 g), N (13,9 g), Mg (5 g), P (4,8 g) e S (2,9 g). Para os micronutrientes a ordem foi: Fe (471,3 mg), Cu (152,6 mg), Mn (103,7 mg), Zn (81,3 mg) e B (33,7 mg) (LUZ, 2013). A relação N : K observada foi de 1 : 2,27, que é bastante frequente em híbridos de tomate de alta resposta, acentuando-se a partir da primeira antese, aos 42 dias após o transplante, até o final do ciclo produtivo. Essa constatação é clara para o híbrido Compack, que apresenta plantas mais curtas, robustas e menos exigentes em nitrogênio nas fases iniciais. A inversão destes índices ou um aumento no nível de nitrogênio leva inevitavelmente a um vigor excessivo, com problemas potenciais de abortamento de frutos e diâmetro reduzido de frutos.
Outro dado relevante observado é a importância do cálcio para o híbrido Compack. Para a grande maioria dos casos, o acúmulo de nutrientes na parte aérea de uma planta de tomate obedece à seguinte ordem decrescente: K, N, Ca, S, P, Mg, Cu, Mn, Fe e Zn, conforme observado por Fayad et al. (2002). No caso do Compack, é evidente a necessidade de cálcio, que figura como o segundo elemento mais importante, superando o nitrogênio a partir dos 76 dias após o transplante. Nesse sentido, antagonismos com outros cátions como o K e o Mg devem ser minimizados pela suplementação constante de cálcio aliada a um manejo hídrico eficiente e à manutenção de um sistema radicular sadio e funcional.
Quanto ao híbrido Coronel (SVTH0361), que apresenta plantas de crescimento vegetativo mais intenso e alta cobertura foliar, a marcha de absorção refletiu o alto potencial produtivo obtido nas condições de Caçador, SC, tradicionalmente reconhecida como um polo de alta produtividade, alcançando 128 toneladas de produção por ha no presente ensaio.
O elemento acumulado em maior quantidade na planta de Coronel foi o K (43,2 g), seguido pelo N (30,8 g), Ca (18,0 g), Mg (7,9 g) e P (3,9 g). Para os três principais nutrientes absorvidos, esses resultados seguem o padrão de absorção de nutrientes verificado por Gargantini e Blanco (1963), em que a ordem decrescente de absorção em quantidade de nutrientes é: K > N > Ca. Para os micronutrientes a ordem foi: Fe (50,7 mg), Cu (96,9 mg), Mn (81,1 mg), Zn (30,1 mg) e B (42,9 mg) (HAHN, 2017).
A relação N : K começa a se distanciar a partir dos 42 dat, atingindo seu máximo no início da colheita. Muito embora a relação N : K para o híbrido Coronel tenha sido de 1 : 1,4, com maior acúmulo de nutrientes aos 84 dias após o transplante, exatamente na fase de maturação dos primeiros frutos, é recomendável manter a relação N : K nos níveis entre 1 : 1,8 e 1 : 2,2 a partir dos 70 dat. Suplementações periódicas e criteriosas com cálcio e micronutrientes são também benéficas para a planta de Coronel, especialmente quando os teores foliares de boro e zinco estiverem abaixo de 50 mg/Kg e 60 mg/Kg, respectivamente, seguindo limites mínimos em tabela publicada por Malavolta (2006).
Autores:
Flavio Leal e Jorge Hasegawa – Technology Development - Seminis.
Fontes:
1. FAYAD, J.A.; FONTES, P.C.R.; CARDOSO, A.A.; FINGER, F.L.; FERREIRA, F.A. Absorção de nutrientes pelo tomateiro cultivado sob condições de campo e de ambiente protegido. Horticultura Brasileira, Brasília, v.20, n.1, p.90-94. 2002.
2. FILGUEIRA, F. A. R. et al. Tomate tutorado. In: RIBEIRO, A. C.; GUIMARÃES, P. T. G.; ALVAREZ V., V. H. (Ed.). Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais - 5ª aproximação. Viçosa, MG: Comissão de fertilidade do solo do Estado de Minas Gerais, 1999. p. 207-208.
3. GARGANTINI, H.; BLANCO, H. G. Marcha de absorção de nutrientes pelo tomateiro. Bragantia, Campinas, v. 22, n. único, p. 693-714, 1963.
4. HAHN, L. Análise de crescimento e marcha de absorção de nutrientes em plantas de tomate fertirrigado híbrido ‘Coronel’. EPAGRI, Caçador, SC, 2017.
5. LUZ, J. M. Q.; MORELLI, F. Relatório projeto de atividade de pesquisa: Acúmulo e marcha de absorção de nutrientes de tomateiro cultivar Compack. UFU - Instituto de Ciências Agrárias, Uberlândia, MG, out 2013.
6. MALAVOLTA, E. Manual de Nutrição Mineral de Plantas. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2006. 638 p.
7. RAIJ, B. van; CANTARELLA, H.; QUAGGIO, J.A & FURLANI, A.M.C., eds. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 2. ed. Campinas, Instituto Agronômico & Fundação IAC, 1996. 255p. (Boletim Técnico, 100).
Em todas as resistências foram utilizados os nomes científicos das doenças e pragas. Para mais informações sobre nome popular, sintomas, danos econômicos e presença da doença/praga na sua região consulte técnicos locais. Todas as informações sobre os híbridos/variedades e seu desempenho, fornecidas oralmente ou por escrito pela D&PL do Brasil LTDA. (produtos com a marca Seminis), seus funcionários ou representantes, são dadas de boa fé e não como garantia da D&PL do Brasil LTDA. quanto ao desempenho dos híbridos vendidos. O desempenho pode depender de condições climáticas, de solo, de manejo e outros fatores. A agressividade de doenças e pragas é altamente influenciada por condições ambientais, histórico da área e pela variabilidade biológica, exigindo um manejo integrado que considere diferentes medidas e ações. A resistência genética é apenas uma ferramenta dentro deste contexto.