O milho doce (Zea mays L. grupo saccharata), originário da América, provavelmente na região do México, pertence à família Gramínea e sua botânica e reprodução são idênticas a do milho comum.
Estima-se que a área mundial cultivada é de 900 mil hectares, sendo os EUA, com aproximadamente 70% dessa área, o principal produtor de milho doce. Este cereal é muito popular nos EUA e no Canadá, onde é consumido tanto “in natura” quanto em conserva.
O Brasil conta com aproximadamente 33 mil hectares distribuídos na região de Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Sua forma de consumo mais popular é em conserva, porém já existem algumas iniciativas de comercialização “in natura” surgindo no mercado.
O milho doce tropical apresenta boa produtividade em épocas do ano com média a alta temperatura e boa disponibilidade de água no solo durante todo o ciclo da planta.
Para processamento industrial, as espigas do milho doce são colhidas quando os grãos estão em estado leitoso (70% a 75% de umidade).
Para a indústria um ponto importante é a qualidade visual dos grãos, ou seja, sem grãos escuros e/ou furados. O controle de pragas durante o cultivo é importante para garantir não só a produtividade esperada do talhão, mas também a qualidade visual dos grãos das espigas a serem processadas.
Neste artigo, abordaremos as principais pragas do milho doce pertencentes ao gênero Spodoptera. Fique por dentro das dicas para identificar as lagartas no campo e as formas de controle indicadas:
– Spodoptera frugiperda (Lagarta do cartucho do milho)
→ Identificando a praga no campo
→ Danos
Na cultura do milho, a S. frugiperda tem o cartucho como nicho preferido, embora o ataque também seja observado na fase de emergência das plantas (corte basal), bem como nas espigas na fase de enchimento de grãos.
→ Dicas de controle
Para híbridos de milho, com ou sem biotecnologia, recomenda-se o uso de inseticidas registrados para a cultura quando 20% das plantas apresentarem cartuchos com poucas lesões circulares ou indefinidas de até 1,3cm nas folhas expandidas e novas, correspondendo à nota 3 na escala Davis et al., 1992.
Além dos métodos tradicionais de controle de pragas que podem ser utilizadas para o milho doce convencional SV0006SN, a Seminis possui em seu portfólio o SV9298SN, milho doce Perfomance Series™ Single Pro SC™ (evento MON 89034) que representa uma segunda geração de milho resistente à insetos e confere maiores benefícios no que se refere ao controle de pragas.
O milho doce Perfomance Series™ Single Pro SC™ expressa as proteínas Cry1A.105 e Cry2Ab2 derivadas do Bacillus thuringiensis, as quais são ativas contra Lepidópteros, conferindo proteção contra a Lagarta do Cartucho (Spodoptera frugiperda) durante toda a safra. Além disso, também confere proteção contra danos causados pela Lagarta da Espiga (Helicoverpa zea), Broca do Colmo (Diatrea saccharalis) e Elasmo (Elamopalpus lignosellus).
– Spodoptera eridania (Lagarta das vagens)
→ Identificando a praga no campo
→ Danos
Lagarta desfolhadora, inicialmente apenas raspam a superfície das folhas e depois passam a alimentar-se dos grãos.
→ Dicas de controle
Controle químico: Aplicação de inseticidas específicos, registrados para as culturas. Existem poucos inseticidas registrados uma vez que as pragas são secundárias com ocorrência esporádica. Cabe ressaltar que o controle químico se faz necessário quando a infestação atinge, pelo menos, 20% de plantas com nota maior ou igual a 3, pela escala Davis.
Controle biológico: O predador Doruluteipes (tesourinha), o parasitóide Trichogramma ssp., os fungos entomopatogênicos, como Nomuraea globulifera, e o vírus Baculovirus são importantes agentes de controle biológico do gênero Spodoptera.
– Spodoptera cosmioides (Lagarta das vagens)
→ Identificando a praga no campo
→ Danos
Além do hábito desfolhador, alimentam-se dos grãos, danificando-os e permitindo a entrada de microrganismos.
→ Dicas de controle
O controle químico é feito geralmente com a utilização de produtos à base de piretróides, organofosforados e produtos fisiológicos. Em razão dos relatos de resistência das lagartas, tem-se optado pela utilização de bioinseticidas à base de Baculovirus spodoptera ou a liberação de parasitóides como a Trichogramma spp.
– Spodoptera albula
→ Identificando a praga no campo
→ Danos
Na fase imatura inicial, raspam as folhas. Nos últimos instares, destroem completamente as folhas.
→ Dicas de controle
Muitos agricultores têm utilizado os mesmos inseticidas utilizados para S. frugiperda e S. cosmioides para o controle desta praga, porém não temos no Brasil nenhum produto químico ou biotecnologia registrada para a S. albula e nem mesmo estudos de eficácia que demonstrem qual o melhor manejo desta praga.
Por Ana Carolina M. Bailey e Paulo H. N. Felici
Analista de marketing e Representante técnico de vendas e desenvolvimento tecnológico para milho doce, respectivamente.
Referências Bibliográficas:
SCHNEIDER, A. et. al. Manual de Pragas 2015. Monsanto do Brasil. 2015.
http://fatorpublicidade.com.br/monsantomobile/files/mobile/#1
KWIATKOWSKI, A.; CLEMENTE, E. Características do milho doce (Zea mays L.) para industrialização. Revista Brasileira de Tecnologia Agroindustrial, v.01, n.02: p93-103. Ponta Grossa – PR. 2008.