Verticillium dahliae: manejo da raça 2 de em tomateiro

A murcha-de-verticilio, causada pelo patógeno de solo Verticillium dahliae é uma das mais severas doenças em tomateiro (Solanum lycopersicum L.), conferindo importante perda econômica para cultura.

A doença tem importância tanto em tomates destinados ao consumo in natura como para processamento industrial.

O patógeno possui uma gama ampla de plantas hospedeiras, como as herbáceas anuais e perenes e plantas lenhosas perenes. Nas regiões de clima temperado e, especialmente nas áreas irrigadas, são onde ocorrem os danos mais severos.

O desenvolvimento do V. dahliae é favorecido em solos úmidos em temperaturas dentre 21-27 ° C, ocorrendo normalmente quando as estruturas de resistência denominadas microescleródios tiverem tais condições para germinarem e, propriamente, darem início à epidemia (BERLANGER & POWELSON, 2000).

Esses microescleródios permitem uma longa sobrevivência do patógeno no solo, dificultando o manejo deste e, constituindo assim, a principal fonte de inoculo, dada sua importância epidemiológica.

Os sintomas comumente observados são clorose e necrose foliar prematura, descoloração vascular nos caules e nas raízes.

As manchas nas folhas são, tipicamente, localizadas no ápice ou lateralmente aos folíolos, com o contorno externo em forma de V e vértice voltado para a nervura principal.

Os sintomas de murcha são mais evidentes em dias quentes e ensolarados.  A doença vem sendo observada nas regiões Sul e Sudeste do Brasil cujo microclima de altitude favorece os surtos epidêmicos.

Folhas de tomate com sintomas de clorose e necrose

Planta murcha e com folíolos com amarelecimento das bordas, em forma de “V”.

Devido à utilização de cultivares resistentes à raça 1 de V.dahliae, a murcha-de-verticilio se tornou uma doença de importância secundária para o tomateiro.

Esta resistência é raça-1 específica, cuja herança genética é simples, monogênica e dominante sendo condicionada pelo gene Ve-1 (FRADIN et al., 2009).

Presume-se que a ocorrência da raça 2 do patógeno seja, provavelmente, pela extensa utilização de cultivares com o gene Ve-1.

Alguns trabalhos vêm sendo conduzidos com o propósito de identificar resistência à raça 2 de V. dahliae, no entanto estes não foram conclusivos e convictos quanto à efetividade e estabilidade da resistência (MIRANDA et al., 2010; USAMI et al.,2017). A dificuldade para este controle genético da resistência em isolados da raça 2 é mais complexo podendo apresentar herança quantitativa e respostas do tipo “isolado-específica” (BAERGEN et al., 1993).

 

Medidas De Manejo De Verticillium Dahliae Raça 2 Em Tomateiro

 

Em condições de campo, a principal medida de manejo visando o controle do patógeno V. dahliae raça 2, está baseada na utilização de agentes de controle biológico que possuem ação supressiva no desenvolvimento de patógenos de solo.

A ação benéfica dos agentes biológicos se estende à promoção de crescimento da planta, bem como o aumento das defesas naturais desta à fitopatógenos.

Alguns agentes de controle biológico se destacam para tal finalidade, tais como: Trichoderma spp., Bacillus subtillis e Clonostachys rosea. Boas práticas culturais como utilização de sementes com boa qualidade fitossanitária e evasão de áreas com histórico de V.dahliae também são importantes para a redução de inóculo da doença.

Tratamentos químicos como a fumigação de solo têm a sua efetividade, no entanto, são inviáveis economicamente.

Quanto ao manejo nutricional, adequados suprimentos de nitrogênio e fósforo podem reduzir a severidade dos sintomas de V. dahliae ((BERLANGER & POWELSON, 2000). Contrariamente à resistência genética à raça 1 de V. dahlie, ainda não há cultivares de tomate com resistência genética à raça 2, sendo esta de difícil manejo e, portanto, um desafio aos melhoristas genéticos de plantas.

Por Thaisa Wendhausen Ramos da Silva, fitopatologista M.Sc., Tomato Trial Officer/Technology Development

Referências

BAERGEN, K.D.; HEWITT, J.D.; ST-CLAIR DA. Resistance of tomato genotypes to four isolates of Verticillium dahliae race 2. HortScience 28: 833-836, 1993.

BERLANGER, I.; POWELSON, M.L. Verticillium wilt. The Plant Health Instructor, 2000.

FRADIN E.F.; ZHANG Z.; JUAREZ AYALA J.C.; CASTRO VERDE C.D.M.; NAZAR R.N.; ROBB J.; LIU C.M.; THOMMA B.P.H.J. 2009. Genetic dissection of Verticillium wilt resistance mediated by tomato Ve1. Plant Physiology 150: 320-332.

MIRANDA, B. E. C. BOITEUX, L. S.; CRUZ, E. M.; REIS, A. Fontes de resistência em acessos de Solanum (secção Lycopersicon) a Verticillium dahliae raças 1 e 2. Horticultura Brasileira, Brasília, v. 28, p. 458-465, 2010.

USAMI, T.; MOMMA, N.; KIKUCHI, S.; WATANABE, A.; HAYASHIC, A.; MIZUKAWA, M.; YOSHINO, K.; OHMOR, Y. Race 2 of Verticillium dahliae infecting tomato in Japan can be split into two races with differential pathogenicity on resistant rootstocks. Plant Pathology 66: 230–238, 2017.

 

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