Manejo de Pragas Reemergentes na Cultura do Tomate: Prevenir para Não Perder

Por: Eng. Marcos Kleber - Consultor em HF

Assim como acontece com a nutrição preditiva que antecipa a fome das plantas, o manejo de pragas reemergentes busca agir antes que o prejuízo se instale. No caso do tomateiro, essa estratégia é essencial, pois trata-se de uma das culturas mais sensíveis ao ataque de insetos e ácaros. Mas afinal, o que são pragas reemergentes?

Pragas reemergentes são aquelas que, mesmo já conhecidas, retornam com maior intensidade ou frequência, devido à perda de eficácia dos defensivos utilizados ou mudanças ambientais que favorecem sua multiplicação. E o tomate, por sua alta suculência foliar, domesticação intensa e cultivo em regiões tropicais, é o "alvo perfeito" para ressurgência.

Você sabia?

Pesquisas recentes indicam que o uso de armadilhas com feromônios específicos pode reduzir em até 80% a população de Tuta absoluta em estufas, quando combinadas com liberação de inimigos naturais.

Na prática, o agricultor convive com ataques contínuos intervenções que exigem quase diárias, especialmente em regiões quentes e com cultivo intensivo. A explicação está em fatores como a perda de genes de defesa natural nas cultivares modernas, a exposição contínua da lavoura e a seleção de populações resistentes pelo uso repetido de inseticidas.

Entre as principais pragas reemergentes, a traça-do-tomateiro (Tuta absoluta) lidera com alto potencial destrutivo. Capaz de completar várias gerações por safra, suas larvas escavam galerias nas folhas e frutos, comprometendo a fotossíntese e a qualidade da produção. Já é documentada sua resistência a grupos como organofosforados, piretróides e diamidas. O controle exige estratégias como o uso de armadilhas, inseticidas seletivos e liberação de parasitoides.

Logo atrás, vem a mosca-branca (Bemisia tabaci), uma das pragas mais reincidentes no tomate. Além de sugar a seiva e prejudicar o metabolismo da planta, é vetora de viroses como o  mosaico dourado.

No Brasil, isso levou à adoção de períodos de vazio sanitário para interromper seu ciclo. Sua resistência a neonicotinoides e reguladores de crescimento já foi amplamente registrada, o que exige rotação criteriosa de modos de ação e integração com biocontrole.

A mosca-minadora (Liriomyza spp.) é outra praga recorrente. Suas larvas formam galerias nas folhas, reduzindo a área fotossintética em até 60%. Devido ao uso de inseticidas não seletivos contra outras pragas, seus inimigos naturais foram reduzidos, favorecendo a sua reincidência. O manejo envolve o uso de ciromazina, abamectina e monitoramento com armadilhas amarelas.

Os tripes (Frankliniella spp.) e os pulgões (Myzus persicae) fecham a lista das principais pragas reemergentes. 

Reincidência de pragas em tomateiros é maior em monocultura (vermelho) por falta de diversidade. Sistemas diversificados (verde) ajudam a controlar pragas naturalmente, com menor uso de inseticidas

Reincidência de pragas em tomateiros é maior em monocultura (vermelho) por falta de diversidade. Sistemas diversificados (verde) ajudam a controlar pragas naturalmente, com menor uso de inseticidas.

Atacam brotações, flores e folhas novas, provocando deformidades e transmitindo viroses. O ciclo rápido e a facilidade de dispersão aumentam seu potencial de dano. Assim como os demais, exigem monitoramento constante e controle biológico aliado ao uso racional de inseticidas.

O manejo de resistência é essencial. O uso repetido de produtos com o mesmo modo de ação favorece o surgimento de pragas resistentes. A saída é combinar estratégias: rotação de ingredientes ativos, armadilhas, inimigos naturais e tecnologias como RNAi e nanotecnologia.

Previsão e monitoramento permitem agir antes da infestação crescer, protegendo os aliados naturais da lavoura e reduzindo o uso de defensivos. Assim como a nutrição preditiva antecipa a fome da planta, o manejo preditivo de pragas evita perdas antes que aconteçam.

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