Manejo de Pragas Emergentes e Reemergentes na Cultura da Cebola

Por: Eng. Marcos Kleber - Consultor em HF

A cebola é uma das hortaliças mais importantes do Brasil, com produção concentrada principalmente em Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo. No Sul, especialmente em Santa Catarina, o cultivo ocorre de forma intensiva e tecnificada, enquanto no Nordeste, com destaque para Bahia e Pernambuco, o uso de irrigação e altas temperaturas permite ciclos sucessivos ao longo do ano. Essa combinação de clima, sistema de cultivo e sucessão de safras cria ambientes altamente favoráveis à recorrência de pragas.

Nesse cenário, observa-se o fortalecimento de pragas reemergentes, aquelas já conhecidas da cultura, mas que passaram a causar danos mais frequentes ou severos, além do surgimento de pragas emergentes, que ganharam importância econômica recente na cebola. Em ambos os casos, o problema está fortemente associado à intensificação do manejo e à redução da eficiência de controle ao longo do tempo.

Você sabia?

Infestações precoces de mosca-minadora podem reduzir a eficiência fotossintética da cebola em mais de 50%, mesmo quando os sintomas visuais ainda parecem leves, comprometendo o enchimento do bulbo de forma silenciosa.

O tripes da cebola (Thrips tabaci) segue como a principal praga da cultura no Brasil. Seu ataque provoca lesões prateadas nas folhas, reduz a capacidade fotossintética compromete diretamente e o crescimento e o enchimento dos bulbos. Em condições de clima seco e quente, comuns tanto no Sul em determinados períodos quanto no Nordeste irrigado, suas populações se multiplicam rapidamente, elevando o risco de perdas produtivas e redução do calibre comercial.

Nos últimos anos, um ponto crítico relacionado ao tripes tem sido a diminuição gradual da eficiência de controle em algumas áreas produtoras. Isso ocorre principalmente pela repetição de inseticidas com o mesmo modo de ação ao longo da safra, favorecendo a seleção de populações menos sensíveis. Estudos recentes também indicam que fatores agronômicos, como densidade de plantio e níveis elevados de nitrogênio, podem influenciar diretamente a intensidade das infestações, mostrando que o problema vai além da escolha do inseticida.

A mosca-minadora (Liriomyza spp.) vem se consolidando como uma praga emergente na cultura da cebola. Suas larvas formam galerias nas folhas, reduzindo significativamente a área fotossintética ativa e enfraquecendo as plantas, especialmente nas fases iniciais de desenvolvimento. Embora historicamente associada a outras hortaliças, sua presença na cebola tem sido cada vez mais registrada em áreas de cultivo intensivo.

O aumento da importância da mosca-minadora está diretamente ligado ao uso frequente de inseticidas não seletivos, que reduzem populações de inimigos naturais e favorecem sua multiplicação. Além disso, há alertas técnicos sobre sua elevada capacidade de desenvolver resistência, o que torna o manejo mais complexo quando a praga se estabelece de forma recorrente na área.

Outra praga que merece atenção é a mosca-da-cebola (Delia spp.), considerada reemergente em algumas regiões produtoras. Seu ataque ocorre principalmente no sistema radicular e na base das plantas, podendo causar murcha, falhas no estande e facilitar a entrada de patógenos de solo. Apesar de apresentar ocorrência irregular, surtos localizados têm sido observados, especialmente quando o ataque ocorre nas fases iniciais da cultura, momento em que o potencial de prejuízo é maior.

Além dessas três pragas de maior impacto, a cebola também convive com um conjunto de pragas secundárias, como lagarta-rosca (Agrotis spp.), ácaros em condições de altas temperaturas, mosquinhas associadas ao solo e ao bulbo, pulgões e lagartas polífagas oportunistas. Atualmente, essas pragas têm importância localizada, mas podem se tornar agravantes em determinados sistemas e condições ambientais.

De modo geral, o cenário atual da cebolicultura brasileira indica que o aumento da pressão de pragas está fortemente relacionado à intensificação do cultivo, à repetição de estratégias de controle e às condições climáticas favoráveis. Compreender esse contexto é fundamental para reduzir reincidências e preservar produtividade e qualidade dos bulbos ao longo das safras.

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