Manejo de adubação da couve-flor Veneza

  •  A demanda de nutrientes é influenciada por fatores como cultivares e condições de clima e de solo. 
  • O conhecimento da demanda versus as quantidades disponíveis no solo, permitem estimar a necessidade de fertilizações. 
  • O entendimento do padrão de absorção ao longo do ciclo é importante para a proposição do manejo correto e alcance da maior produtividade.

A curva de absorção

A demanda de nutrientes é influenciada por fatores como cultivares e condições de clima e solo onde as plantas são cultivadas. Este Manejo em Foco tem como objetivo expor o trabalho realizado para quantificar a extração (demanda) de nutrientes nas condições de campo. É importante o conhecimento da demanda, que confrontada com as quantidades disponíveis no solo permitem estimar a necessidade ou não de fertilizações.

Além da demanda, conhecer a curva de absorção é importante. Isso porque a curva de absorção permite ao agricultor/técnico escolher a melhor época e doses dos fertilizantes a serem aplicados. Assim, são aplicadas doses condizentes com a extração da cultura em determinado intervalo de tempo, minimizando perdas no sistema solo-planta-atmosfera e desequilíbrios iônicos no solo. O entendimento do padrão de absorção ao longo do ciclo dos nutrientes por novas cultivares é importante para a proposição do melhor manejo da adubação e alcance da maior produtividade.

Metodologia

A couve flor Veneza foi semeada em bandejas de onde foram transplantadas para o campo em época apropriada para o material (janela recomendada). A população final foi de aproximadamente 25253 plantas por hectare (espaçamento de 60 x 66 cm), considerando que o material é recomendado para o verão, quando ocorrem muitas precipitações, sugerimos que a população não seja muito alta, evitando o abafamento de plantas que favorecem o aparecimento de doenças tanto foliares como da cabeça. Foram realizadas coletas de plantas aos 16, 23, 34, 43, 51 e 55 dias após o transplante. As partes das plantas foram separadas em folhas e em inflorescência (quando havia), secas em estufa e levadas a laboratório para análise dos teores de nutrientes. 

Resultados e observações

A produtividade do material foi de 3.752 caixas por hectare, com cabeças de peso médio 0,904 kg e índice de aproveitamento de 89,16%. O material apresentou boa janela de colheita (7 dias), com alto vigor de plantas apesar da alta precipitação que ocorreu na época do experimento.

Dos 282,5 kg/ha (ou 11,19 g/planta) de N extraídos, apenas 75,8 kg/ha foram alocados na cabeça, sugerimos aplicar de 120 a 230 kg/ha de N, de acordo com análise de solo e potencial de N no solo. Também sugerimos fracionar essa aplicação em 4 vezes (aos 10, 20, 30 e 40 dias após o transplante). O mesmo ocorreu com o P2O5 , dos quais 26.1 kg/ha foram utilizados na formação da inflorescência, considerando que a planta extraiu 86,8 kg/ha no total. Em solos de baixa fertilidade, sugerimos aplicar 17,2 kg/ha se solo argiloso e 11,5 kg/ha se solo arenoso de P2O5 . Em solos férteis essa quantidade pode ser reduzida pela metade.

No caso do K ou K2O, 110,2 kg/ha foram utilizados para formação da cabeça, contra 422,2 kg/ha extraídos pela planta. A dose de K2O deve ser ajustada de acordo com a fertilidade do solo (5,5 g/planta de K2O quando o K no solo for maior que 120 mg/dm³; 15,5 g/planta quando o K no solo estriver entre 80 e 120 mg/dm³ e 20,9 g/planta quando K no solo foi inferior a 80 mg/dm e aplicadas em 4 vezes, aos 10, 20, 30 e 40 dias após o transplante.

Para o Ca, a quantidade extraída foi de 138 kg/ha, a maior parte alocada nas folhas. Sugerimos corrigir a saturação de Ca com corretivos de acidez e suplementar com adubos de solo no sulco de plantio ou em cobertura (nitrato de Ca, por exemplo). Em épocas de maior temperatura e precipitação, a complementação se faz mais necessária. A extração de Mg foi de 23,9 kg/ha, adequando-se a correção de solo com calcário dolomítico e mantendo o K equilibrado, conseguimos evitar a falta de Mg na planta; se necessário utilizar fontes solúveis de Mg em solos com alta relação Ca/Mg ou K/Mg entre 20 e 40 dias após transplante. O enxofre foi o macronutriente menos extraído, se utilizarmos fontes de gesso ou sulfatos para correção do solo essa quantidade já é suficiente.

Para os micronutrientes, a quantidade de B extraída foi de 236,5 g/ha, considerando que é um nutriente de alta mobilidade no solo, recomendamos o uso de fontes de liberação gradual ou aplicação parcelada (de 2,4 a 3,5 g/ha de B) aos 10 e aos 40 dias após o transplante. A quantidade de Zn extraída foi de 214,4 g/ha, sugerindo o uso de oxissulfatos misturados ao adubo de plantio.

 

Dicas de manejo – IPACER

  • Elevar a saturação para 70% na camada de 0-40 cm e Mg para 1,0 cmolc/dm³; 
  • Elevar o K no solo para 80 mg/dm³ na camada de 0-40 cm juntamente com o processo de correção do solo (calagem). 
  • Aplicar na linha de cultivo ou em covas antes do transplante de 11,5 g/planta de P2O5 em solos arenosos e 17,2 g/planta de P2O5 em solos argilosos quando a fertilidade em P for baixa. Essas doses podem ser reduzidas em até 50% em solos com alta fertilidade em P; 
  • Juntamente com P aplicar de 0,10 a 0,14 g/planta de B, de 0,02 a 0,04 g/planta de Cu e de 0,10 a 0,20 g/planta de Zn; via ulexita (fonte de B) e oxissulfatos (fontes de Cu e de Zn - as maiores doses são para solos argilosos). Nos solos de alta fertilidade aplicar pelo menos 1/2 dessas quantidades no sulco de plantio. Zn deve ser aplicado via adubo de plantio. B pode ser aplicado com adubo de plantio ou também via ácido bórico parcelado entre 10 e 40 dias; 
  • Aplicar ao longo do ciclo de 4,8 a 9,1 g/planta de N conforme potencial de N do solo. Dividir a dose total em cinco aplicações: transplante e mais quatro coberturas (10, 20, 30 e 40 dias após o transplante); 
  • Aplicar 5,5 g/planta de K2O em solos férteis (> 120 mg/dm³ de K), 15,5 g/planta de K2O (K entre 80 e 120 mg/dm³) e 20,9 g/planta de K2O (solos com K < 80 mg/dm³). Dividir a dose em cinco aplicações: transplante e mais quatro coberturas (10, 20, 30 e 40 dias após o transplante). Se o solo tiver mais de 80 mg/dm³ de K a dose pode ser dividida em três aplicações: 20, 30 e 40 dias após o transplante.  

Fontes

1.  IPACER - Instituto de Pesquisa Agrícola do Cerrado. 2021. Curva de absorção da couve flor Veneza – Maio 2021. Rio Paranaíba, MG. 

 

Para informações agronômicas adicionais, entre em contato com seu representante local de sementes.

O desempenho pode variar de local para local e de ano para ano, uma vez que as condições locais de crescimento, solo e clima podem variar. Os produtores devem avaliar os dados de vários locais e anos, sempre que possível, e devem considerar os impactos dessas condições nos campos do produtor. As recomendações deste artigo são baseadas em informações obtidas das fontes citadas e devem ser usadas como referência rápida para informações sobre doenças de couve-flor. O conteúdo deste artigo não deve ser substituído pela opinião profissional de um produtor, agrônomo, patologista e profissional similar que lida com essa cultura específica.

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