Formação da cabeça de Couve-Flor

A formação de cabeça em brássicas está condicionada a boas condições ambientais. Temperaturas muito baixas, ou clima muito seco podem resultar em problemas no tamanho e qualidade da cabeça A escolha do material mais adequado para a época, data de plantio e condições climáticas ajudam a minimizar problemas no desenvolvimento e qualidade.

 

Requisitos do crescimento

 

Quando comparado ao brócolis a ao repolho, a couve flor é mais sensível às condições climáticas, particularmente a formação da cabeça e sua qualidade, que requerem uma faixa muito estreita de temperatura e umidade. Não é incomum a má formação de cabeças no campo1,2,3. Temperaturas amenas e um ambiente úmido são as condições ideais para a produção, já que o processo de formação da cabeça é desencadeado por uma série de fatores, como a idade da planta. Materiais tropicais e temperados possuem necessidades de temperatura e umidade diferentes, o material deve ser escolhido juntamente com a data mais apropriada de semeio, assim, quando a planta estiver formando a cabeça, as condições mais adequadas ocorram¹. A qualidade da cabeça também é afetada pela exposição a luz solar, podendo se tornar amareladas ao receber mais luz do sol.

 

Riceness (aspecto de arroz) e pelos

 

Os defeitos na cabeça de riceness e pelo ocorrem em altas temperaturas (acima de 27°C), durante o processo de formação da cabeça¹ - (em clima tropical, condições como grande amplitude térmica – diferença entre a temperatura diurna e noturna). Alta umidade e excesso de adubação nitrogenada podem contribuir para a ocorrência desses efeitos4. Riceness é uma condição na qual partes florais se alongam e crescem através da cabeça e botões florais brancos ou roxos se formam. Esses botões separados dão a cabeça o aspecto desigual (Figura 1). O defeito pelo é similar, com as cabeças formando esse aspecto de veludo, devido aumento dos pedicelos florais que se alongam (Figura 2). Esse problema fisiológico é causado principalmente pela flutuação de temperatura (amplitude térmica). Algumas variedades são mais suscetíveis que outras a esses problemas. Usar o material mais adequado para aquela janela de plantio é a melhor maneira de evitar esses problemas6,7.

 

Abotoamento

 

É o termo usado quando a planta forma cabeças que nunca atingirão o tamanho necessário para comercialização. Ela ocorre quando a planta, antes de atingir a maturidade fisiológica, emite cabeças, então não possui folhas suficientes para suportar a formação de uma cabeça com o tamanho adequado. Temperaturas muito baixas no transplante, ou muito altas, baixa fertilidade do solo (nitrogênio), deficiência de micronutrientes, pouca umidade no solo, e danos por clima (granizo) e insetos, podem causar esse fenômeno3,4. O uso de sementes muito velhas e de variedades muito precoces pode interferir nessa característica. A formação prematura de cabeças, segundo algumas referências, ocorre ainda na muda, antes do transplante, porém, um estudo de 1984 associou com a restrição de crescimento foliar, e não com a iniciação da formação da cabeça na época do transplante5. Plantas mais velhas e maiores na época do transplante mostraram-se mais suscetíveis ao problema nesse estudo, sugerindo que qualquer manejo que retarde a formação de folhas prejudica o ciclo, aumentando a frequência do problema. Materiais mais tardios tendem a produzir mais folhas antes da formação da cabeça, reduzindo o problema.

Botão Cego

 

Condição onde não ocorre a formação da cabeça, associada a períodos de extremo calor (durante o dia e à noite)4,5, também causado por injúria de insetos e de aves.

Folha na Cabeça

 

Quando as brácteas se formam ao longo da cabeça2,4, condição associada a altas temperaturas e baixa umidade do solo (seca) na época da formação da cabeça3,4. Amplitude térmica alta e umidade estressantes para a planta podem resultar em cabeças frouxas, sem a compacidade necessária (Figura 3). Crescimento vegetativo rápido resultando da adubação excessiva de nitrogênio também podem influenciar na ocorrência desse defeito2,4.

 

Talo Oco

 

Os sintomas de talo oco se iniciam com pequenas fissuras nos vasos internos, ao longo do crescimento, essas fissuras se expandem e formam cavidades que podem se estender à cabeça. O talo oco está associado a condições que permitem o crescimento muito rápido dos tecidos, incluindo espaçamento mal dimensionado (poucas plantas) e altos níveis de nitrogênio4. As variedades se comportam de forma diferente quanto o problema7, deficiência de Boro também pode levar a manchas marrons no talo oco (Figura 4). A melhor forma de evitar o talo é o uso de espaçamento adequado, com fertilização balanceada6.

Descoloração da Cabeça

 

A cabeça de algumas variedades pode amarelar, ao ser exposta ao sol, esses materiais necessitam de um período de branqueamento, onde as folhas externas formam uma proteção ao redor da cabeça em formação, durante um período de tempo, para prevenir a descoloração. O amarelecimento é mais comum de ocorrer em temperaturas acima de 27°C¹. Quando o material não possui naturalmente folhas protetoras8, essa operação deve ser realizada manualmente, dobrando as folhas sob a cabeça ou prendendo-as com elástico. Variedades esverdeadas ou laranja não são afetadas pela exposição ao sol4, deficiência de Boro pode levar ao bronzeamento da cabeça também4.

 

Fontes

 

1. Koike, S., Cahn, M., Cantwell, M., Fennimore, S., Lestrange, M., Natwick, E., Smith, R., and Takele, E. 2009. Cauliflower production in California. UC Vegetable Research and Information Center. Publication 7219. 

2. Sanders, D. 2001. Cauliflower. NC State Extension: Horticulture Information Leaflets. 

3. Cabbage, broccoli, cauliflower, and other brassica crops. 2018. New England Vegetable Management Guide. https://nevegetable.org/crops/ cabbage-broccoli-cauliflower-and-other-brassica-crops.

4. Johnson, G. 2008. Disorders in cole crops. University of Delaware, Cooperative Extension. https://extension.udel.edu/weeklycropupdate/?p=464.

5. Wurr, D. and Fellows, J. 1984. Cauliflower buttoning-the role of transplant size. Journal of Horticultural Science 59:419-429. 

6. University of California. 1987. Integrated pest management for cole crops and lettuce. UCANR Publication 3307.

7. Dickson, M. 2007. Riciness of cauliflower. In Compendium of Brassica Diseases, Rimmer, S., Shattuck, V., and Buchwaldt, L. editors. The American Phytopathological Society, St. Paul. 

8. Trounfeld, J. 2010. Cauliflower. University of Maryland Extension. GE 107. Websites verified 10/25/2018

Para informações agronômicas adicionais, entre em contato com seu representante local de sementes.

Em todas as resistências foram utilizados os nomes científicos das doenças e pragas. Para mais informações sobre nome popular, sintomas, danos econômicos e presença da doença/praga na sua região consulte técnicos locais. Todas as informações sobre os híbridos/variedades e seu desempenho, fornecidas oralmente ou por escrito pela D&PL do Brasil LTDA. (produtos com a marca Seminis), seus funcionários ou representantes, são dadas de boa fé e não como garantia da D&PL do Brasil LTDA. quanto ao desempenho dos híbridos vendidos. O desempenho pode depender de condições climáticas, de solo, de manejo e outros fatores. A agressividade de doenças e pragas é altamente influenciada por condições ambientais, histórico da área e pela variabilidade biológica, exigindo um manejo integrado que considere diferentes medidas e ações. A resistência genética é apenas uma ferramenta dentro deste contexto.

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