Curva de extração do tomate ComandanTY

Jorge Hasegawa, MD Knowledge Transfer SAM.

Apresentação

Lançado em 2023, o híbrido ComandanTY é um tomate do segmento salada com plantas de crescimento indeterminado que apresentam frutos de 220 a 280 gramas, plantas vigorosas com alto enfolhamento e alta resistência ao vírus ToMV, às raças 1 e 2 da murcha de Fusarium (Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici), à raça 1 da murcha de Verticillium, ao complexo da mancha de Stemphylium, além de conferir resistência intermediária ao TSWV, transmitido por tripes, ao TYLCV, transmitido pela mosca-branca, e aos nematoides de galha Meloidogyne arenariaMeloidogyne incognita e ao Meloidogyne javanica.

Dentro de um manejo nutricional e de controle integrado de doenças e pragas, o híbrido ComandanTY foi especialmente desenvolvido para proporcionar segurança ao agricultor em condições de pressão de geminiviroses e permitir a colheita de frutos de alta qualidade para o mercado, com firmeza e tolerância às principais manchas dos frutos, desde que dentro de um posicionamento correto na janela de plantio e sob condições propícias de umidade, aeração e fertilidade do solo. Nesse sentido, a presente marcha de extração de nutrientes foi desenvolvida para ajudar o agricultor a maximizar o potencial produtivo do tomate ComandanTY. Boa leitura! Para as diferentes condições de cultivo neste Brasil continental, recomendamos consultar a equipe técnica da Bayer Vegetable Seeds e/ou o seu engenheiro agrônomo de sua confiança.

 

Condições do ensaio de extração de nutrientes

A marcha de extração do tomate ComandanTY foi desenvolvida no Instituto de Pesquisa Agrícola do Cerrado (IPACER), de julho a novembro de 2021 em Rio Paranaíba, MG, dentro da janela de plantio adequada. As plantas foram conduzidas dentro de uma população de 9.260 plantas/ ha, com 2 hastes/ planta e início de colheita aos 68 dias após o transplante, estendendo-se por 50 dias.

A produtividade avaliada foi de 9,48 Kg/ plantas, com 70% de frutos médios e grandes e 57 frutos colhidos por planta até a fase de interrupção do experimento.

 

Exigências nutricionais do tomate híbrido ComandanTY

O acúmulo de matéria seca foi constante ao longo do ciclo, exigindo adubações frequentes. Os macronutrientes em ordem de quantidade total absorvida por planta, do maior para o menor, foram K2O > N > P2O5 > Ca > Mg > S. Para os micronutrientes, essa mesma sequência seguiu a ordem Fe > Mn > Zn > B > Cu.

Para espécies olerícolas que produzem órgãos de armazenamento de fotoassimilados como frutos, raízes e bulbos, a dinâmica de absorção de nitrogênio e de potássio é determinante nos aspectos de produção e qualidade. No caso do tomate ComandanTY, a relação N : K2O mantém-se equilibrada ao redor de 1 : 1 até a fase imediatamente anterior à colheita. A partir da antese, a relação tende a evoluir em 1 de N para 1,30 de K2O (tabela 1).

Tabela 1. Dinâmica da relação N : K2O no híbrido ComandanTY

No presente ensaio, a absorção total acumulada em kg/ ha de macronutrientes foi de 302,8 Kg/ ha de N; 99,1 8 Kg/ ha de P2O5; 396,3 Kg/ ha de K2O, 67,6 Kg/ ha de Ca, e 24,1 Kg/ ha tanto de Mg como de S (Tabela 2). No caso dos micronutrientes, os cátions metálicos Fe, Mn e Zn ocupam um lugar de destaque, exigindo suplementações  ao longo do ciclo. Os nutrientes Ca, Mg, Fe e Mn desempenham um papel importante na formação e estruturação da planta e são menos exportados pelos frutos. No caso dos macronutrientes primários N-P-K, mais de 2/3 foram exportados pelos frutos, evidenciando a sua relevância na fase reprodutiva das plantas.

Tabela 2. Absorção total / planta de nutrientes e exportação aos frutos.

Conclusão e discussão

Como a totalidade dos híbridos de alta resposta de tomate, o ComandanTY exige uma fertilização balanceada e adequada às diferentes condições de clima, solo e de manejo. A quantidade total extraída de nutrientes por tonelada de frutos é um indicativo para a previsão da necessidade de fertilização em diferentes condições (tabela 2). A partir do total de nutrientes extraído, deve-se calcular a eficiência do sistema de fertilização, que depende de fatores como o tipo de solo, condições climáticas, teor de matéria orgânica do solo, fontes e solubilidade de fertilizantes, sistema de irrigação e qualidade da água, razão de adsorção de sódio da água, entre outras variáveis.

Os principais aprendizados baseados na presente curva de extração permitem propor as ações a seguir:

  • Como o Ca e o Mg são importantes na formação e na estruturação da planta, a calagem se torna uma prática fundamental. Índices de saturação de bases em torno de 80% e alumínio nulo (m=0%) devem ser alcançados na medida do possível. Como complementação, a utilização de gesso agrícola é benéfica para condicionamento subsuperficial do solo e para solos sódicos, fornecendo, além do Ca, o macronutriente enxofre. A quantidade de Ca, no presente estudo, esteve no limite inferior da necessidade, podendo ser incrementada e ocupar a terceira colocação em quantidade, sendo, assim, precedido apenas pelo K e pelo N.
  • A extração total do P2Oreflete a necessidade da planta, mas a disponibilidade depende da reação do solo quanto à sua fixação, exigindo um manejo específico para os diferentes solos. Assim, o teor inicial de P2Omínimo para o tomate ComandanTY deve ser acima de 50 mg/ dm3, especialmente para solos argilosos. Como a absorção de P é praticamente linear e crescente, fertilizações periódicas são sempre benéficas até a fase de plena produção, visto que 67% de todo o P foi exportado pelos frutos.
  • A relação N : K2O se manteve em torno de 1 : 1 na fase vegetativa do crescimento do ComandanTY. Nas fases iniciais em pós-transplante até a antese da segunda penca, permite-se uma relação N : K2O de 1,8: 1,0 em um solo com bom aporte de Ca e Mg para a estruturação da  planta, visto que o ComandanTY não é uma cultivar de descarga rápida e precoce. O incremento da necessidade de K2O na fase reprodutiva foi evidente, chegando próximo a 1 : 1,40. Essa relação se faz necessária para híbridos que apresentam descarga constante de frutos, exigindo também nitrogênio nesta fase para manutenção do vigor.
  • Os micronutrientes Fe, Mn e B são também fundamentais na fase de estruturação da planta, devendo ser disponibilizados já no pós-transplante até a fase de produção, com incrementos lineares crescentes. O Zn, que sofre antagonismo com o P, deve ser disponibilizado também e com maior frequência na fase de antese até a colheita.
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