Resistência em plantas: um caminho de descobertas e inovações na luta contra patógenos
A resistência em plantas é um dos pilares fundamentais da agricultura moderna, especialmente quando se trata de proteger culturas de patógenos que ameaçam a produção global. Neste artigo, exploramos os principais aspectos dessa resistência, com base nos insights de Tom Allersma, patologista da Bayer Crop Science, dos Países Baixos.
O que é resistência em plantas?
Resistência é a capacidade de uma planta ou variedade de restringir danos causados por patógenos. Isso pode ocorrer por meio de diversos mecanismos, como:
· Restrição do crescimento do patógeno;
· Limitação dos sintomas da doença;
· Minimização de perdas financeiras.
Esses fatores podem atuar de forma isolada ou em conjunto, dependendo do tipo de resistência presente na planta.
O processo de descoberta da resistência
Identificar novos traços de resistência é um processo complexo e multifatorial. Alguns fatores determinantes incluem:
1. Facilidade em desenvolver testes de triagem para diferenciar plantas resistentes de suscetíveis.
2. Capacidade de cultivar o patógeno para estudos.
3. Disponibilidade da resistência: em algumas culturas, como o tomate, pode haver uma ampla gama de variedades resistentes. Em outros casos, a resistência pode estar restrita a espécies selvagens.
Após a identificação, segue-se um longo processo para transformar esse traço em uma cultivar comercial. Especialmente quando a resistência está presente em espécies selvagens, são necessários múltiplos ciclos de cruzamento até que a característica seja incorporada em variedades modernas, mantendo outros atributos de qualidade.
Desafios e soluções no desenvolvimento de cultivares
O desenvolvimento de variedades resistentes enfrenta vários desafios. Por exemplo, a resistência precisa ser integrada sem comprometer características como sabor, aparência e produtividade, que são altamente valorizadas no mercado.
Na Bayer, avanços técnicos permitem acelerar esse processo. Ferramentas de ponta ajudam a encurtar o tempo necessário para transformar descobertas em produtos comercializáveis, como o tomate STRABINI, uma variedade com resistência intermediária ao vírus rugoso.
A ameaça do vírus rugoso
O vírus rugoso (ToBRFV), descoberto em 2014, se espalhou rapidamente, causando grandes prejuízos à produção global. Sua alta agressividade e velocidade de disseminação desafiaram a capacidade das empresas de reagir rapidamente.
Apesar disso, esforços significativos já geraram avanços promissores, incluindo variedades com resistência intermediária e alta. Até outubro de 2023, a Bayer planeja lançar diversos novos produtos que combinam resistência ao vírus com outras características desejadas.
Diferenças entre resistência intermediária e alta
A resistência pode ser classificada como:
· Intermediária (IR): confere um nível moderado de proteção, geralmente devido à interação de múltiplos genes com o patógeno.
· Alta resistência (HR): resulta de genes específicos capazes de oferecer proteção robusta, às vezes por décadas, como no caso do gene Tm-2² em tomates.
Essas classificações são reguladas por definições padronizadas, como as da Federação Internacional de Sementes, e exigem validação independente antes do lançamento no mercado.
Inovação e Futuro
A Bayer tem investido fortemente em infraestrutura, como novas instalações de quarentena, para acelerar a pesquisa e o desenvolvimento de variedades resistentes. Esses esforços visam não apenas combater o vírus rugoso, mas também aprimorar a durabilidade das resistências.
Conclusão
A resistência em plantas é um campo desafiador e essencial para a sustentabilidade agrícola. A combinação de pesquisa avançada, ferramentas técnicas e esforços globais tem permitido progressos significativos, garantindo que os produtores tenham acesso a cultivares resistentes e de alta qualidade, mesmo frente a patógenos emergentes como o vírus rugoso.